Com R$ 25 bilhões em empréstimos, Jerônimo Rodrigues enfrenta atrasos em obras, desgaste político e risco real à reeleição
Bahia

Com R$ 25 bilhões em empréstimos, Jerônimo Rodrigues enfrenta atrasos em obras, desgaste político e risco real à reeleição

nov 24, 2025

Com R$ 25 bilhões em empréstimos, Jerônimo Rodrigues enfrenta atrasos em obras, desgaste político e risco real à reeleição

Salvador (BA) — A gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT) entra em uma zona de turbulência. Mesmo após autorizar cerca de R$ 25 bilhões em empréstimos desde o início de seu mandato, o governo tem sido criticado por atrasos em obras estruturantes, dificuldades de articulação e incapacidade de cumprir acordos políticos. O cenário vem provocando fissuras internas e despertando interesse de lideranças em dialogar com a oposição, acendendo um alerta sobre a reeleição do governador em 2026.

Endividamento cresce, entregas não acompanham

O aumento acelerado da dívida baiana tem sido o eixo central das críticas. Em cerca de três anos, Jerônimo já formalizou 20 pedidos de empréstimo, superando em volume os governos anteriores. As justificativas oficiais apontam necessidade de investimento em infraestrutura, mobilidade, saúde e saneamento.

Entretanto, parlamentares destacam que os números não se refletem em obras concluídas ou melhorias percebidas pela população. Para líderes da oposição, o governo “queima recursos sem mostrar resultados proporcionais”.

Obras emblemáticas acumulam atrasos

Entre os empreendimentos mais criticados está a Nova Rodoviária de Salvador, cuja entrega já foi adiada diversas vezes. O próprio governador admitiu que a obra só deverá ficar pronta em 2026, ampliando o desgaste em torno do projeto.

Outro ponto sensível é a Ponte Salvador–Itaparica, alvo de tensões políticas e questionamentos sobre sua viabilidade. Apesar de rumores e pressões por um distrato, Jerônimo garante que não pretende romper o contrato. A obra, porém, ainda carece de clareza sobre cronograma e execução.

Ambiente político racha

A relação do governador com sua base tem se deteriorado. Deputados governistas relatam dificuldades em obter espaço, respaldo ou cumprimento de acordos. A insatisfação silenciosa de prefeitos, líderes regionais e parlamentares vem criando um cenário de risco político.

Nos bastidores, algumas lideranças — inclusive figuras historicamente alinhadas ao campo petista — já iniciaram conversas com a oposição, avaliando alternativas caso a popularidade de Jerônimo continue caindo.

Oposição intensifica críticas

Deputados como Tiago Correia (PSDB) e Sandro Régis (União Brasil) têm aumentado o tom, apontando um suposto “ciclo de endividamento sem resultado”. Eles afirmam que, apesar do volume de recursos aprovado, os baianos continuam enfrentando problemas graves em mobilidade, saúde pública e segurança.

A forma como os créditos têm sido aprovados na Assembleia — muitas vezes em regime de urgência — também tem gerado críticas sobre a falta de transparência e debate qualificado.

Governo tenta conter danos

No Palácio de Ondina, a defesa é de que os empréstimos seguem critérios técnicos, dentro da capacidade financeira do estado, e são essenciais para garantir obras de grande impacto. Jerônimo prometeu acompanhar de perto os projetos considerados prioritários, numa tentativa de reorganizar entregas e recuperar confiança.

Risco para a reeleição

Com obras atrasadas, crescente insatisfação interna e oposição fortalecida, Jerônimo Rodrigues vê sua tentativa de reeleição começar a se fragilizar. Aliados admitem que, caso o governo não mostre resultados concretos nos próximos meses, o desgaste pode se tornar irreversível.

A Bahia, que viveu 16 anos de hegemonia petista, pode estar diante de um dos seus cenários políticos mais imprevisíveis em duas décadas.

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