Deputados federais da Bahia aliados de Neto votam para cassar Carla Zambelli do PL e reforçam a possível crise do PL com o União Brasil na Bahia
A votação que manteve o mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) na Câmara dos Deputados expôs mais uma fissura política na Bahia. Três nomes do União Brasil baiano — Arthur Oliveira Maia, Leur Lomanto Júnior e José Rocha — votaram a favor da cassação, posicionando-se ao lado da bancada do PT, sigla adversária no estado e na esfera nacional.

O gesto ampliou a tensão entre o PL baiano e o União Brasil, partido ligado ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto, que busca reorganizar seu campo político para as eleições municipais e estaduais. A aproximação de setores do União Brasil com votações alinhadas ao governo Lula tem sido vista com preocupação pela ala bolsonarista.

Dentro do PL, a leitura é de que o voto de Arthur Maia, Leur Lomanto e José Rocha reforça um afastamento estratégico do União Brasil em relação ao bolsonarismo — e, ao mesmo tempo, evidencia uma disputa por espaço e protagonismo na oposição baiana. Auxiliares do PL classificaram o comportamento dos parlamentares como “um recado claro” de que o União Brasil não pretende seguir a estratégia de alinhamento automático.

A votação, apesar de não cassar Zambelli por falta do quórum constitucional, expôs uma nova divisão no campo oposicionista baiano. Dirigentes do PL afirmam que o partido pode rever alianças municipais e estaduais caso o União Brasil mantenha a postura “independente”.

Enquanto isso, aliados de ACM Neto argumentam que a decisão dos parlamentares foi “técnica” e baseada em interpretações jurídicas sobre o caso, negando que o voto tenha sido coordenado para desgastar o PL.
A movimentação, porém, já alimenta nos bastidores o debate sobre o rumo da oposição na Bahia — e sobre quem de fato irá liderá-la nos próximos ciclos eleitorais.
O episódio também expõe um movimento mais amplo: o comportamento político do União Brasil na Bahia tem desconsiderado o apoio da legenda ao atual candidato ao governo, ACM Neto, revelando uma indiferença que já havia ficado evidente com o não cumprimento de acordos municipais nas últimas eleições. Para aliados do PL, essa postura reforça o temor de que, caso ACM Neto venha a vencer o governo da Bahia, o partido liderado por Bolsonaro no estado possa ser ainda mais sufocado e preterido, perdendo espaço político e capacidade de influência.