
A disputa pelo Governo da Bahia em 2026 começa a ganhar novos contornos e coloca ACM Neto em uma posição competitiva na corrida eleitoral. O ex-prefeito de Salvador aparece na liderança de levantamentos recentes, enquanto o governador Jerônimo Rodrigues busca consolidar sua base e ampliar sua presença no interior do estado.
Pesquisa do Paraná Pesquisas, divulgada em julho, aponta ACM Neto com 49,2% das intenções de voto, contra 37,5% de Jerônimo Rodrigues em cenário estimulado. O levantamento ouviu 1.500 eleitores em 64 municípios baianos, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais.
O resultado alimenta a percepção de que a eleição pode estar caminhando para uma disputa mais equilibrada territorialmente, especialmente em regiões como o Sul, Extremo Sul e interior da Bahia, onde o PT construiu uma forte presença eleitoral ao longo das últimas décadas. Eventuais mudanças de preferência nessas áreas podem ter impacto significativo no resultado final, embora não haja, nas fontes consultadas, dados públicos suficientes para afirmar que exista uma migração generalizada de votos dessas regiões para ACM Neto.
O cenário também é influenciado por temas que vêm ocupando espaço no debate político baiano, entre eles a segurança pública e a avaliação do governo estadual. A pesquisa mais recente mostra que, apesar de Jerônimo manter 52% de aprovação, sua gestão registra 28,1% de avaliações péssimas e 8% de ruins, enquanto 37,1% a classificam como ótima ou boa.
No campo político, episódios envolvendo lideranças do grupo governista também podem ser explorados pela oposição durante a campanha. No entanto, acusações ou referências a supostos escândalos precisam ser tratadas com base em fatos comprovados e fontes confiáveis, sem antecipar conclusões sobre responsabilidades individuais.

A principal questão para ACM Neto, portanto, será transformar a vantagem apontada pelas pesquisas em uma mobilização eleitoral consistente, especialmente fora da capital. Para Jerônimo, o desafio será defender o legado de seu governo, reduzir rejeições e manter a força política do grupo que governa a Bahia há sucessivos mandatos.
A eleição, contudo, ainda está aberta. O próprio histórico de 2022 mostra que uma vantagem nas pesquisas não garante vitória: naquele pleito, ACM Neto liderou o primeiro turno, mas acabou derrotado por Jerônimo no segundo.
Assim, embora os números atuais indiquem vantagem relevante para ACM Neto, ainda é cedo para afirmar que a eleição está decidida. O que os dados permitem dizer é que o cenário de 2026 apresenta uma oposição competitiva e uma disputa que poderá ser definida pela capacidade de cada grupo de conquistar o eleitorado do interior, ampliar alianças e responder às principais preocupações dos baianos — especialmente segurança, emprego, saúde e desenvolvimento econômico.

