Faltam 15 dias: ACM Neto pode chegar ao Palácio de Ondina e representar uma mudança na Bahia

A menos de duas semanas das eleições, a disputa pelo Governo da Bahia entra em sua fase decisiva com ACM Neto em condições competitivas para assumir o Palácio de Ondina. Levantamentos recentes apresentam cenários distintos: a RealTime Big Data registrou empate técnico entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues, enquanto pesquisa Séculus/CBN divulgada em 16 de setembro apontou vantagem de Neto. 

Mais do que os números das pesquisas, entretanto, a campanha passou a revelar sinais de desgaste e divergências dentro da própria base governista.

Um dos episódios mais emblemáticos veio do deputado federal Jorge Solla (PT). Em vídeo divulgado recentemente, o parlamentar afirmou que prefeitos que declaram apoio a Jerônimo não estariam colocando a campanha nas ruas e que alguns permitiriam que secretários e vereadores de suas bases trabalhassem em favor de ACM Neto. 

A declaração chama atenção justamente por partir de um integrante do grupo político do governador. Independentemente da dimensão real desse movimento nos municípios, a fala de Solla expõe publicamente uma crise de confiança e uma cobrança interna dentro da base governista.

O desgaste de um ciclo político

A eleição também acontece após aproximadamente duas décadas de predominância do mesmo grupo político no comando do Estado. Para os críticos dos governos petistas, esse período não produziu avanços suficientes em áreas essenciais como segurança, saúde, educação e desenvolvimento econômico.

Na educação, porém, os dados mais recentes exigem uma análise equilibrada: o Ideb de 2025 registrou crescimento da Bahia, com o ensino médio da rede estadual chegando a 3,8. O próprio governo estadual destaca uma evolução de 0,6 ponto entre 2019 e 2025. 

Isso não elimina os problemas estruturais enfrentados pelo Estado, mas mostra que afirmações de que a Bahia estaria simplesmente “nos piores índices” precisam ser acompanhadas dos indicadores e do período analisado.

Na segurança pública, a Bahia mantém indicadores que continuam alimentando forte preocupação social e debate político. O Estado mantém um anuário oficial de segurança pública com dados de criminalidade produzidos pela SSP e pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia. 

A eleição pode se transformar em um plebiscito sobre mudança

É nesse contexto que ACM Neto tenta apresentar sua candidatura como alternativa à continuidade.

Para uma parcela do eleitorado, a escolha pode deixar de ser exclusivamente uma disputa entre PT e União Brasil, esquerda e direita, ou mesmo entre Jerônimo e ACM Neto. Pode assumir a forma de uma pergunta mais simples: a Bahia quer continuar no mesmo caminho ou experimentar uma mudança?

Essa percepção é especialmente relevante diante das fissuras que começam a aparecer entre lideranças municipais e parlamentares da própria base governista.

Ao mesmo tempo, a disputa continua aberta. A pesquisa RealTime Big Data realizada entre 4 e 8 de setembro apontou Jerônimo com 45% e ACM Neto com 44% no primeiro turno, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. 

Faltam apenas 15 dias para que o eleitorado transforme pesquisas, alianças, insatisfações e expectativas em votos.

Se o sentimento de mudança identificado pela oposição conseguir se transformar em mobilização eleitoral, ACM Neto poderá chegar ao Palácio de Ondina. A resposta definitiva, porém, estará nas urnas.

Related Articles