
O deputado federal Jorge Solla (PT-BA) fez uma declaração contundente que expôs, publicamente, um cenário de desconfiança dentro da própria base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na reta final das eleições.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Solla afirmou que prefeitos que declaram apoio público a Jerônimo não estariam colocando a campanha nas ruas e, segundo ele, estariam permitindo que secretários e vereadores de suas bases trabalhassem pela candidatura de ACM Neto (União Brasil).
“A maioria dos prefeitos que ficam fazendo juras de amor para o governador não botaram a campanha na rua. E mais: eles dizem que apoiam ele, mas colocam os secretários e os vereadores fazendo campanha para ACM Neto”, afirmou o parlamentar.

A fala ganhou peso ainda maior porque, segundo relatos sobre o vídeo, Solla afirmou ter levado informações sobre municípios diretamente ao governador. Ou seja, não se trata apenas de uma crítica pública: o próprio deputado petista diz estar alertando o Palácio de Ondina sobre possíveis movimentos de integrantes da base governista.
O episódio expõe uma contradição política: apoio declarado de um lado e movimentação eleitoral de outro. Na avaliação de Solla, prefeitos estariam mantendo uma posição pública favorável a Jerônimo enquanto setores de suas estruturas políticas atuariam em favor do principal adversário.

A declaração coloca um novo elemento no debate eleitoral baiano: até que ponto os apoios anunciados publicamente correspondem à mobilização efetiva das bases municipais?
Mais do que uma simples reclamação de um deputado, a fala de Jorge Solla escancara a existência de desconfiança dentro da própria base governista e coloca sob os holofotes a disputa pelo controle político dos municípios na reta final da campanha.
A eleição para o governo da Bahia está marcada para 4 de outubro, e a declaração ocorre justamente nas últimas semanas antes da votação.

